A MÃE INVISÍVEL

mãe exausta

 Passo o dia inteiro fazendo várias tarefas, sou a 1° a levantar quando o bebê chama, não por quê eu sempre esteja cheia de energia e disposição, mas por quê ninguém irá atendê-lo, ninguém irá trocá-lo ou acalmá-lo, e antes que digam que eu não quero me dar o trabalho de atender o meu filho quando me chama ou que se eu não quisesse passar noites em claro que não tivesse filhos, lhes digo: SOU MÃE SIM, MAS NÃO SOU DE FERRO!


   Criou-se uma lenda, sim uma lenda, de que a mãe é um ser mágico, e que seu corpo é feito de aço, que resiste a tudo, ao cansaço, dores, medos, insensibilidades alheias, de boa e calada, e a mãe que não seguir esse esteriótipo é fraca, não nasceu para ser mãe, não é mulher de verdade.

   É exaustivo estar sempre disposta para tudo, como assim? Lhe explico, por mais que eu MÃE esteja cansada, pernas doendo, pés inchados, coluna travada, braços dormentes, cabeça explodindo, preciso estar disposta, e se possível, de bom humor, para cozinhar, lavar, varrer, e cuidar do meu filho, já que, por mais que o pai esteja em casa, ele não dá atenção ao pequeno, não se levanta para trocar uma fralda sequer, não se propõe à fazer uma comidinha, ou até mesmo a sua própria comida, a minha vida de mãe não é lá essas maravilhas todas, mas poderia ser mais fácil se eu recebesse ajuda sem precisar implorar, será que ninguém enxerga que estou cansada? E que o cansaço não me deixa ser a mãe que eu gostaria de ser? Mãe paciente, mãe calma, mãe que não grita, mãe que não se descabela, mãe mais carinhosa.

   Com quem afinal de contas posso contar? Se nem o próprio pai divide comigo as responsabilidades da casa que ele também mora, do filho que também é dele? Daí ele diz: "Mas passo o dia todo fora, trabalho para colocar comida aqui dentro de casa, quando chego quero descansar, ver meu jornal e comer minha comida, trabalho muito e fico cansado", sim, eu entendo, mas você, pai, não esqueça de que o filho também é seu, que ele também precisa de você, da sua presença, e não apenas de seu dinheiro, e nós mães, também trabalhamos fora, chegamos cansadas, mas precisamos organizar tudo e cuidar dos filhos, como explicar essa ausência paterna para essas mães? Vocês concordariam então de que nós mães que trabalhamos fora podemos deixar nossos pequenos de lado para assistir, comer, sair com os amigos, já que passamos o dia todo trabalhando? NÃO! VOCÊS JAMAIS CONCORDARIAM! 

   E tem mais, as mães que escolheram ficar em casa com seus filhos, também trabalham, e muito. Fazem café da manhã, almoço, lavam roupas, louças, faxina, se desdobram o dia inteiro para manter a casa organizada e dar atenção, amor e educação para os filhos, e ainda tem que ser "mulher" (nunca entendi isso de dizer que "deixamos de ser mulheres quando nos tornamos mãe"), vaidosa, corpo em forma, cabelo penteado, para agradar o maridão, pois caso o contrário "ele vai procurar outra na rua, olha como tu estás".

   Temos que agradar a todos, sorriso estampado, olhar reluzente, mas quem nos "agrada"? Quem nos estende a mão para ajudar? Para lavar uma louça? Fazer o almoço? Ou até mesmo segurar o bebê para que possamos descansar uns minutinhos? Quem se dispõe a nos escutar quando nos sentimos triste? Não sei onde estão essas mãos, mas basta você olhar um pouco ao seu redor, vários dedos te apontando, te criticando por cada atitude, cada deslize, cada birra "Cadê a mãe dessa criança?", cada resfriado, cada nota vermelha na escola, cada arranhão ou sujeira, já que as crianças não tem nem liberdade de brincar, de se sujar, pois isso não é o certo, o "correto" é deixar as crianças ali, estáticas na cadeirinha, carrinho ou sofá, em frente à TV, tablets, brinquedos barulhentos, e precisa acostumar desde pequeno, para quando crescer "não dar trabalho".

   Sabemos que há muitos pais que compartilham todas as tarefas com as mães, desde lavar, cozinhar, e cuidar dos filhos, mas infelizmente o compartilhamento de tarefas e responsabilidades em casa ainda é minoria, a maioria de nós mães, fazemos tudo só, estamos só, mesmo com várias pessoas em casa, ficamos só, e não me venha falar que o seu marido lhe "ajuda" com o bebê, meu amor, ajudar é o mínimo que ele tem que fazer, trocar fralda não é nada se comparado ao tanto de cuidados que um bebê precisa, é necessário repensar essa "ajuda", o pai não tem que simplesmente ajudar quando quiser, ele tem que estar ali, do seu lado, tem que criar, cuidar, amar, educar igualmente os filhos, e não deixar a maior parte de tudo para você.

   Estou aqui, cansada, soando, com dor em todas as partes do corpo, mas sou invisível para o meu marido, já que ele não faz nada para que eu melhore, e ainda fala "caramba você vive estressada, não te entendo", poxa! repara mais e reclama menos. Ah, e para a sociedade também sou invisível, pois muito me é negado, não posso amamentar em público, não posso amamentar se o bebê tem mais de 6 meses (é esquisito sabe?), não posso sair para shows ou ir no barzinho com os amigos por quê não posso levar o meu bebê, não posso nem ir ao cinema, a sessão precisa ser uma especial para quem tem bebês, não é fácil sair com o bebê, bebê tem rotina, tem hora de comer, de dormir, "mas por quê você não chama uma babá", gente, não sou rica não, e também nem quero, tenho muito medo do que possa acontecer quando eu estiver fora, não consigo sair tranquila enquanto que o meu filho fica em casa com um desconhecido, ou até mesmo com os avós, avó é avó, avó não é a mãe dele, sou eu que o amamento, que o acalmo, que o embalo, que o ponho para dormir.

   "Somos fracas então?" Claro que não, somos fortes, passamos por muitas coisas, aguentamos várias outras, mas não somos essa rocha toda que acreditamos ser, temos sentimentos, temos um corpo e mente que cansa, precisamos nos respeitar, respeitar o nosso limite, pedir ajuda, já que ninguém consegue enxergar isso, precisamos ser notadas, apenas.

17 comentários

  1. Perdi boa parte da infância do meu filho porque eu precisava trabalhar, passei na faculdade e ainda amamentava, mas eu chegava tarde e ele adormecia em meu seio. Meus finais de semana eram todos dedicados ao meu filho. Quando terminou a faculdade sobrou mais tempo pra ficar com ele, e me desdobro, me viro de avesso porque eu sou mãe. Mãe é assim, faz tudo pelo filhos, com sono, com dor, nós ganhamos poderes após a maternidade. Lindo texto! bjs
    www.pilateandosonhos.com

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    1. Estive com problemas para responder os comentários pelo Blogger, mas agora consigo e lhe digo que estou feliz por aproveitar cada segundo, oportunidade que lhe aparece para ficar com seu filho, nem sempre estar ao lado 24h do filho significa que ele esteja recebendo a atenção que merece, tempo de qualidade entende? Mas é isso mesmo, nos desdobramos, nos tornamos mil após a maternidade.
      O texto é realista, créditos à autora que pediu anonimato :)
      Bjs :*

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  2. Não sou mãe ainda, mas imagino como deve ser mesmo difícil trabalhar duro e ainda não ter o devido reconhecimento...afinal ser mãe é sim um trabalho e ainda super cansativo, mas claro que gratificante também e que merece o seu devido respeito e reconhecimento. :D

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  3. Achei super válida a crítica. Não é porque você é mãe que tem que ter uma força incondicional.

    Força nesse caminho, muito amor e sorrisos pra tiii

    Beijos,
    Gabriela Alegre
    www.itsgaby.com

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  4. Esses dias estava ouvindo uma conversa de mãe para o filho, que aparentava ter uns 5 anos, onde ela dizia que ele devia dar o lugar para uma moça pois ela era FRACA e podia cair no onibus, isso de primeiro instante pode não ter tanto a ver com esse texto, maravilhoso por sinal apesar de ser um desabafo real e não ilusionista, o que esse comentário tem a ver com a sua história é como infelizmente o machismo ainda está presente na sociedade em pleno século XXI, e isso é muito sério. Nós não somos fracas, a criança não deve dar lugar pq somos fracas, não somos o sexo frágil. Imagino que ser "pãe" seja extremamente complicado, apesar de eu ainda não ser mãe eu vi isso por parte de várias mulheres. Força, você é uma guerreira ♥
    Beijos para você e seu filho
    E para todas as mulheres que passam por isso sempre.

    Karina.
    http://karinadinizblog.blogspot.com.br/

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    1. Estive com problemas para responder os comentários pelo Blogger, mas é isso mesmo, o machismo que torna a maternidade muito mais pesada, complicada e triste para muitas mães, a maternidade é sim linda, leve, quando a mãe consegue adaptar a sua rotina, quando ela recebe todo o apoio, e nem falo de ajuda, por quê pai não tem que ajudar não, ele tem que ser pai, cuidar, educar, estar presente em todos os momentos, mas quando tudo fica na costa da mãe, é óbvio que ela se cansa, se estressa, afinal ela precisa além de cuidar de um bebê, cuidar da casa, da comida, das roupas, e até mesmo de um trabalho lá fora, como essa mulher não fica sobrecarregada? impossível, enquanto que o pai geralmente trabalha fora e chega em casa e já está tudo arrumadinho, em seu lugar, comidinha pronta, roupa limpa, não precisa fazer mais nada já que "cumpriu com sua obrigação", no máximo vai trocar uma fralda aqui e outra alí, raramente dá um banho no bebê e recebe um troféu como "SUPERPAI", não fez nem 10% do que a mãe faz e já é aclamado como herói, mas a mãe nunca é reconhecida, apenas julgada, e taxada de fresca se reclamar de algo.
      Bjs para você tbm :)

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  5. Não sou mãe ainda, mas imagino o quão arduo é o trabalho. Afinal vc tem que se virar em mais de 3 para da conta dos filhos, da casa, do marido e etc... Mas acho que tudo sua recompensa por mais que algumas pessoas não saibam dá esse devido reconhecimento.
    Parabéns pelo post. Ta excelente e ja vou até indicar pra uma amiga minha.
    Beeeeijo
    Closet da Vaidosa

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  6. Um dia pretendo descobrir essa força sobrenatural que só quem é mãe tem.

    Beijos linda.

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  7. Ainda não sou mãe, mas imagino como deve ser essa tarefa e realmente achamos que mães sempre são fortes e na verdade elas são pois aguentam cada coisa, é uma tarefa bem árdua!

    Beijos

    Blog: Senhorita Marmelada
    Instagram: @caroldelacroix

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  8. eu ainda não sou mãe, imagino que deve ser difícil, sobre o texto sinceramente sei nem o que fala.

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  9. A gente sabe que, infelizmente, esse texto retrata a realidade de muitas mães. São sempre elas que devem resolver o problema, elas que devem se privar das coisas por causa do filho. Mas às vezes a gente esquece que mães são humanas, pessoas como qualquer outra. Que elas merecem ajuda e reconhecimento, porque não é uma tarefa fácil.
    Adorei o texto!
    Bjs

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  10. Esse texto me lembrou bastante essas férias. Passei duas semanas na casa da minha tia, pois a babá entrou de férias e ela (que fica em casa o dia todo, com uma cozinheira e uma faxineira) não conseguiria dar conta de cuidar de duas crianças. Chegando lá eu percebi de cara a situação: minha tia não fazia nada, meu tio acordava tarde e chegava tarde do trabalho (passava no máximo 20 minutos com os filhos) e as crianças em casa o dia todo sem fazer praticamente nada. Eu fiquei exausta só de ficar duas semanas com eles, imagina se os filhos fossem meus? Não sei se daria conta.

    www.aconteceucomagente.wordpress.com

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    1. Estive com problemas para responder os comentários pelo Blogger.
      As vezes olhando de fora, pensamos "ah mas ela é mãe, mãe da conta de tudo sempre" né verdade? mas só sendo mãe ou viver de perto a maternidade da amiga ou de um familiar que passamos a compreender mais o por quê de alguém após a maternidade simplesmente sumir ou viver exausta :)
      Bjs

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  11. Me sinto invisível, depois que descobrir que ia ser mãe, minha filha ainda nem nasceu e já me sinto assimm, o problema não e só ser mãe e ser dona de casa, dona da vida, fazer escolhas, não tenho mais o direito de chorar ou ate mesmo ficar triste, não me sinto dona da minha vida, me sinto insegura, fraca, e até mesmo com medo, medo de não ser forte o suficiente para sobreviver a essa fase tão complicada que é ser mãe/mulher e até mesmo menina.

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    1. Olá, primamente sinta-se abraçada, realmente o medo de "não dar conta" é bastante comum, mas você não precisa dar conta de tudo, você é um ser humano, que sente dor, fraqueza, fome, e tem sentimentos, alegria, tristeza, você vai conseguir sim "sobreviver", mas converse com sua familia, fale sobre seus medos, procure ajuda de um profissional se achar que precisa, não tenha vergonha, quando precisar chorar, chore, não reprima, explique que isso não fará bem ao bebê, você precisa pôr para fora tudo que lhe incomoda, não é bom alimentar sentimentos negativos, quer conversar? Me envie um email com seu número de whatsapp, lhe colocarei no grupo de apoio materno, ou conversamos no privado mesmo, bjs :)
      email: alanayagda@hotmail.com

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