FESTA DA LANTERNA WALDORF EM CASA

festa da lanterna waldorf

  Em publicações passadas, comentei da minha pequena experiência com a Pedagoia Waldorf, e que essa vêm me proporcionando grande aprendizado e mudança de vida, de pensamento, de atitude, principalmente o meu olhar sobre a criança e o brincar.

  Novamente, a vó da Iara (creio que ela já é um "personagem" do blog pelo tanto de vezes que a cito sem nem mesmo dizer seu nome), me apresentou algo que só fez aumentar o encanto pela pedagogia em questão, a Festa da Lanterna, onde deve ser preparada pelos professores e pais. O momento da confecção da lanterna é um dos mais importantes, pois os pais se envolvem de corpo e alma, dedicando o seu tempo e amor em um trabalho manual, por mais que a criança ainda não saiba recortar ou colar, é importante que ela esteja sempre presente no momento da confecção, e se os pais a explicarem o que está acontecendo, como "veja filha, estou fazendo a sua lanterna, você vai carregá-la daqui há alguns dias certo?", para que ela perceba que toda aquela ação resultará em algo magnifico é melhor ainda, e quando a criança já é um pouco maior, poderá participar também da confecção.
  • "Na Pedagogia Waldorf, celebrar é uma arte a ser cultivada. No início de cada nova estação, buscamos assumir uma postura coerente com as qualidades que a época inspira. Por isso, as festas fazem parte do currículo regular, coincidindo com as mudanças das estações do ano: Páscoa (Outono), São João (Inverno), São Micael (Primavera) e Natal (Verão). São festas Cristãs, originárias dos antigos rituais pagãos, que resgatam o vínculo do homem com a natureza, acompanhando seu ritmo e trazendo a consciência de que fazemos parte dela. As festas são preparadas por integrantes da escola, inclusive pais e amigos. Elas marcam o calendário e fortalecem a comunidade, pois são momentos especiais que rompem a rotina dos afazeres diários e despertam a atenção para outras ações que também fazem parte da vida". 


   Conforme a Vó da Iara explicou, na escola Waldorf, os professores cantavam músicas da época junina diariamente até o dia da festa, dia em que acendiam a fogueira e com um gravetinho pegavam uma chama, era acendida então as lanternas, após isso eram entregues às crianças, que com a supervisão dos professores e pais faziam uma caminhada pelas áreas abertas da escola, e então lhes eram apresentados a História da Menina da Lanterna (disponível no final dessa publicação), e em seguida, faziam uma grande roda e cantavam e dançavam ao redor da fogueira.

    A lanterna representa a Luz Interior que cada ser possui, e a caminhada com a lanterna representa a coragem do ser ao trilhar o seu caminho com coragem, sem temer a escuridão, e aí cantam-se canções que falam da natureza, do homem, do céu, terra, e como eles se relacionam, além das canções juninas que foram cantadas durante todo o mês.
  • “A Festa da Lanterna, assim como outras (Festa da Páscoa, Festa de São João, Festa da Primavera, Festa de Natal) fazem parte do calendário escolar, através das festas do ano as crianças vivenciam o grande ritmo das estações. É uma maneira de nós, adultos, recebermos, acolhermos essas crianças que querem se situar no mundo. Preciosos valores são semeados no interior de cada uma delas, de maneira inconsciente, simbólica e sem conceitos. Essas sementes mais tarde, poderão transformar-se em forças sociais.
   A Festa da Lanterna que fizemos para a Iara foi realizada em casa, a lanterna foi feita com muito amor e empenho, usamos papel cartão e papel seda, Iara sempre por perto nos observando, querendo até ajudar, depois que fizemos a lanterna, a deixamos exposta, sem acender a vela, durante todos os dias que antecederam a festa para que ela a visse e se lembrasse no dia.


   Fiz um teatro de dedos com dedoches de feltro, ela não se interessou muito pela história, queria apenas brincar com os personagens, lembrando que ela ainda é muito pequena (1 ano e 8 meses), mas a cada ano que fizermos mais significativo será, além de que criaremos ritmo e ela saberá que é Época de São João, mas para o meu irmão de 8 anos, foi interessante, tudo era novidade, fizemos a lanterna juntos e o teatrinho de dedo chamou bastante atenção, ficou atento a cada detalhe da história.

Dedoches expostos na Mesa de Época Junina Waldorf que montamos em casa

  A festa foi diferente da que a vó da Iara explicou, realizamos da seguinte forma:

Breve Passeio durante a tarde com as lanternas apagadas, para que Iara lembrasse de sua lanterna.

O espaço estava úmido devido às chuvas e não conseguimos acender uma fogueira, então  ao anoitecer acendemos a lanterna com fosforo e realizamos a caminhada com as lanternas dentro de casa e no jardim, e durante o percurso recitei a canção Eu vou com a minha Lanterna (também disponível no final dessa publicação).

Colocamos as lanternas no chão e nos sentamos para contar a história da Menina da Lanterna.

Fizemos uma roda em volta das lanternas e cantamos algumas músicas, esse momento foi tão legal que não lembramos de fotografar, todos (eu, Iara, maninho, e o papai da Iara) se envolveram de uma forma inexplicável.

Comer as comidinhas da época, fizemos mingau de milho, canjica, bolo de mandioca e milho assado, não conseguimos registrar esse momento pois depois da roda nem lembrávamos mais de tirar fotos, só de curtir o momento.

   Mesmo com as pequenas limitações, ficamos bastante felizes em apresentar algo diferente para nossa pequena e para meu irmão, tudo tão especial e encantador, e gostaria que mais crianças e adultos pudessem ter essa oportunidade de vivenciar as épocas com mais magia.










CANÇÃO: Eu vou com minha lanterna

Eu vou com minha lanterna
E ela comigo vai
No céu brilham estrelas
Na terra brilhamos nós
A luz se apagou
Pra casa eu vou

Com minha lanterna na mão
Minha luz vou levando
Sempre dela cuidando
Se alguém precisar
Dela posso lhe dar

HISTÓRIA: A Menina da Lanterna

            Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.

            Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

            Querido ouriço! Exclamou a menina, - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir pra casa cuidar dos filhos.

            A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

            Querido urso, falou a menina, - O vendo apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

            Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu-a e mandou que voltasse pra casa, porque a menina espantava os ratinhos. Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou.

            Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram pra ir perguntar ao sol, pois ele concerteza poderia ajudá-la.

            Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.

            Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.

            - Bom dia querida vovó – disse ela

            - Bom dia, respondeu a velha.

            A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque ela fiava sem cessar e sua roca não podia parar. Mas pediu a menina que comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna a continuou a caminhada.

            Mais pra frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta a cumprimentou-o. Perguntou, então se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois pegou sua lanterna e continuou a caminhada.

            Bem longe avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima – pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem responde. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

            Então a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho

            Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.

            - Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.

            Como estivesse muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.

            O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.

            Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.

            - Oh! A minha lanterna está acessa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho.

            Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

            A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina.

            Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos.

            A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar.

          Depois de algum tempo,a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante. Assim a menina voltou feliz pra casa.

10 comentários

  1. Que amor essa história, achei linda, não conhecia!! Que ideia criativa, amei! Beijão ♥

    http://www.sorrisosnooutono.com.br/

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  2. Não conhecia a pedagogia de waldorf, achei interessante. Acredito que é muito importante fazer atividade com as crianças, a criatividade delas desenvolve mais rápido. É é um ótimo jeito de aprendizado. Vou procurar saber mais, não conhecia a música e nem a história da menina da lanterna. Gostei muito do seu post, porque além de cultural ele nos instrui, parabéns. Sua filha é linda, beijos
    Charme-se

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    1. Obrigada pelo comentário, é importante incentivar o brincar na criança, ela aprende e se desenvolve melhor :)

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  3. Nao conhecia a metodologia waldorf, mas achei tudo uma graça!!! principalmente o fato de que os pais fevem estar sempre fazendo as coisinhas perto ou junto da criança, isso é muito legal e importante...

    Beijinhos, www.dudiva.com.br

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  4. Que ideia maravilhosa! Fiquei com muita vontade de fazer aqui também :)
    Vou pesquisar mais sobre pedagogia de Waldorf, me interessei basante!

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  5. Que demaaaais ♥ Acredito que as crianças precisam mais disso, desse contato com a fantasia, com histórias, com a natureza e afins. A parte em que os pais participam também é muito bacana, o contato e a interação de pai pra filho anda bastante decadente ultimamente, mas ver atitudes assim deixa o coração mais quentinho ♥ Enfim, eu amei a ideia, achei um encanto.

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  6. Gente, que história linda! Nunca tinha ouvido falar. Gostei bastante. Ah, seu layout é lindo <3

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  7. Que coisa mais linda. Nunca tinha escutado sobre essa tradição e fiquei encantada... achei lindo o empenho de vocês em envolver as crianças. E as fotos com a lanterna ficaram lindas demais.
    Beijo grande.

    www.carolinefrizeiro.com

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  8. Adorei essa história, estou gostando muito de conhecer essa pedagogia de Waldorf aqui com você!

    Beijos

    http://www.senhoritamarmelada.com/

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