ÁRVORE DA PÁSCOA WALDORF

   
    A criança, como um ser em constante desenvolvimento, necessita que o espaço ao seu redor seja favorável à prática saudável de brincadeiras, permitindo também o estímulo à imaginação, além de ser amoroso, caloroso e artístico, permanecendo assim até a sua vida adulta, lembrando que a criança aprende através da vivência do dia a dia.

   Dessa forma, ao chegar essa época de páscoa, buscamos apresentar para a Iara, nossa filha, o conceito de ressurreição, não a ressurreição no sentido religioso, já que não possuímos religião, e sim sobre o renascimento, a transformação, através do ciclo de vida da lagarta, por meio da "Árvore da Páscoa", sugerida pela avó da Iara, pedagoga Waldorf (baixe o EBOOK disponível no site 'Brinquedos Waldorf' para conhecer um pouco da Pedagogia Waldorf).

   A páscoa ocorre no Outono, estação do ano em que as folhas passam por um processo de transformação, adquirem uma cor amarelada ou acastanhada e caem ao solo quando secas, a árvore temporariamente "morre" para voltar cheia de vida na primavera, a árvore da páscoa resume de forma clara essa passagem da "vida - morte - vida" através da lagarta, casulo e borboleta.

   A lagarta se arrasta pelo solo indo de encontro à arvore, que por sua vez é repleta de folhas que a alimenta e a enche de vida, após algum tempo, ela se satisfaz e fecha-se num casulo, onde faz a transição para uma nova vida, "morrendo" para renascer como uma linda borboleta.

   A árvore da páscoa pode ser realizada em etapas que irão ser realizadas no decorrer do mês de páscoa, pondo um "item" de cada vez, ou pode ser apresentada em sua forma completa,  com todos os itens já postos, porém é importante explicar à criança o que cada um deles representa. No primeiro momento, deve-se colocar um galho seco na "Mesa de Época", a qual será decorada também em outras épocas festivas do ano, como a Festa de São João, São Micael, Natal e as estações do ano.
                                                                        Fonte: Micael

   Optamos por apresentar um item por semana para a Iara Di Luna, para que ela percebesse as mudanças que iam ocorrendo no decorrer do mês, mas na semana de páscoa, resolvemos retirar todos os itens da árvore e reiniciar o ciclo para que meu irmão de 8 anos também pudesse fazer parte desse momento.

   Com a ajuda da avó da Iara, e também com o conteúdo adquirido através de pesquisas e cursos online, tentei ser fiel ao máximo das árvores que são apresentadas em sala de aula de uma escola Waldorf. Não sou professora, e por mais que a Iara ainda não frequenta um ambiente escolar, achei interessante fazer tal "atividade".     
 
O Galho
   Nesse momento, o galho precisa estar com folhas para representar a vitalidade, porém um dia essas folhas irão secar e cair, completando o seu ciclo. O galho que escolhemos não possuía folhas, e vocês não tem noção de como foi difícil encontrar um galho perto de casa, então iniciamos com ele sem folhas mesmo.
 
  O ideal é esperar alguns dias para retirar as folhas (não todas de uma vez) e colocando as lagartinhas.

Tentei explicar da minha maneira para a Iara e para meu irmão."O galho está perdeu as suas folhas, ele envelheceu, as folhas secaram e caíram, vamos pegar folhas de outra plantinha para os bixinhos que ja já chegarão para se alimentar?". Fomos então buscar folhas de plantas menores.



A Lagarta
   A lagarta pode ser feita com feltro, gravetinhos pintados de verde, papel crepom ou outro material que ao ser utilizado lembre uma lagarta.

"A lagarta veio! Estão vendo? Nós colocamos as folhas e elas vieram, mas elas já comeram tudo  e o galho voltou a ficar vazio".



O Casulo
   Após colocar as lagartas no galho, espera-se alguns dias para o aparecimento dos casulos, esses podem ser feitos com algodão, envolvendo as próprias lagartas neles, pendurando alguns e deixando também algumas lagartas no galho, pois nem todas se transformam ao mesmo tempo.

   O casulo guarda uma nova etapa da vida, simboliza o recolhimento para a transformação da lagarta, ao pensar em humanos, o casulo pode representar o recolhimento para um momento de reflexão, análise, e assim mudar , transformar a sua vida, o mesmo irá acontecer com a lagarta, que após se recolher, irá se transformar em uma linda borboleta.

"Cadê as outras lagartas? Ohhh! Elas se transformaram em casulos, elas agora ficarão lá dentro descansando por um tempo, para acordar e viver a sua nova vida, como será que ela estará?" Nesse momento, brincamos com a imaginação, meu irmão disse: "Ela vai tá azul com bolinhas vermelhas?" Eu: "Será? Vamos esperar para ver".

   Iara, devido a idade dela, de 1 ano e 6 meses, se envolve da forma dela, fez caras e bocas, demostrou curiosidade e também queria puxar a toalha da mesa para derrubar a árvore.



A Borboleta

    As borboletas podem ser confeccionadas com lã, papel crepom, feltro ou como você desejar.

  É o renascimento de uma vida, a transformação. Após alguns dias como casulo, a borboleta irá surgir, dando continuidade à vida.

"Olha, tem algo saindo do casulo, o que será? Gente, as lagartas já descansaram e estão saindo dos casulos, olhem só, vamos ver como elas estão? Ohhh! Se tornaram lindas borboletas".



   Há também a opção de colocar os ovos, podendo ser pintados, melecados, com giz de cera, tinta, colagens, enfim, serem decorados pela criança uma semana antes da páscoa, depois faz-se um furo em cada uma das extremidades do ovo, soprando com força o conteúdo de dentro que deverá sair, ficando o ovo vazio, passando um barbante pelos furos, ou fita, fazendo um nó em uma das pontas e a outra será usada para amarrar o ovo na árvore quando for o domingo de páscoa, sabe-se que, o ovo é como uma espécie de casulo também, representando uma vida interior, que ainda está se formando, e ao se desenvolver, se transforma em uma vida diferente daquela inicial, rompe a casca dura, e nasce.

Pintura a mão com   Tinta Caseira         


Árvore com alguns dos ovos pintados, ela pintou e quebrou logo em seguida, então improvisei alguns.


   Após a apresentação de cada item, ou no último dia da árvore que ocorre no final do mês, ou até a Pentecostes para quem quiser expor por mais algum tempo, é recomendado recitar um verso, contar uma história ou cantar uma música sobre a época, podendo ainda dar fazer uma roda rítmica, se arrastando no chão como uma lagarta, se recolhendo como um casulo, abrindo os braços como uma borboleta, a criança sem perceber, começa a participar, tentando imitar ou fazendo os seus próprios movimentos, trabalhando todo seu corpo.



   Há várias canções sobre lagartas, borboletas e afins, porém, a que mais escutei durante esses anos de convivência com a avó da Iara, é a descrita abaixo.

A lagarta 
(música de Luciana Betti e Marcelo Petraglia)

Quando a lagarta se recolhe
Ela dorme e se envolve
Num casulo delicado
E da escuridão nasce a luz
Que dá vida à borboleta
Voa cor de flor em flor










Até a próxima

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