SLING: O QUE ESCUTAMOS AO USÁ-LO

sling


 Há situações no seu dia a dia que você simplesmente deixa para lá, porém as vezes, por mais que não seja intencional, algumas pessoas possuem o hábito de criticar o que não conhece e acaba deixando o seu dia com uma energia um tanto pesada, sabe o famoso preconceito?

    Pois bem, quando resolvemos fazer nosso próprio sling, pessoas próximas à nós nos perguntaram: "Mas por quê vocês não compram aquele canguru?", "Por quê não compram isso em uma loja?", "Por quê pôr a vida do bebê em risco?", "por quê isso? por quê aquilo?", e mesmo explicando do que se trata, da funcionalidade, das vantagens, insistiam em nos incomodar com tais comentários, pareciam até ser grandes conhecedores do assunto, mas que na verdade nunca nem haviam escutado falar sobre.

  Obviamente, pelo fato do Sling não ser algo tão comum de se ver (atualmente), desperta a curiosidade e interesse de qualquer um que não esteja familiarizado com o mesmo, mas como em qualquer situação que envolve um bebê, todos acreditam saber o que é melhor para ele, quem nunca recebeu um "conselho" de um desconhecido na rua, em uma fila, no ônibus, de como criar, educar, alimentar, cuidar do seu filho? E com o sling não poderia ser diferente.
 

♡ "O que é isso? É um pano?"
   Sim, trata-se de um pano, caso você queira comprar ou fazer o seu, procure por tecido 100% Algodão pois não cede facilmente e é mais macio, medindo 5 metros de comprimento por 60cm de altura (sem emendas) e caso prefira, para facilitar encontrar o meio no momento da amarração, um tecido de 40cm x 45cm estampado ou de cor diferente ao restante, ou, apenas uma etiqueta no centro do sling.

   Trata-se de um carregador de bebê que proporciona conforto, praticidade e segurança, permitindo uma maior locomoção e realização de atividades do dia a dia, além de fortalecer o vínculo entre os pais e o bebê, diminuindo por sua vez os choros, irritabilidade do bebê, melhorando até mesmo o sono dele (as vezes a Iara Di Luna dormia no sling), permitindo que a transição da vida no útero para o nosso mundo não cause o rompimento de forma brusca a conexão entre mãe e bebê estabelecida durante a gravidez.

mães usando sling
Foto por Every Stock Photo

♡ "O canguru não é mais prático e bonito?"
   Desde que escolhemos  usar carregador de bebê, o Wrap Sling (modelo sem argolas) foi o que mais nos chamou atenção, não somente pelo fato da praticidade, mas por toda a história envolvida, sempre que lemos algo sobre este tipo de carregador, é destacada uma de suas maiores qualidades, o aumento do vínculo com o bebê, diferente do canguru, onde geralmente descrevem apenas a sua funcionalidade e o preço.


♡ "Não está sufocando o bebê?"
   Não! Certa vez, um senhor nos parou na rua para perguntar isso, a Iara estava dormindo tranquilamente e ele queria ver se o rosto dela não estava sendo "esmagado", sinceramente, qual é a necessidade disso, desse constrangimento? Não satisfeito com a nossa explicação, o senhor nos olhou com um certo desprezo, e parecia que os olhos dele queriam falar: "vocês são loucos". Mas, como respondemos à ele, o rosto do bebê fica de lado, jamais com o rosto colado no corpo de quem o carrega, pois pode tapar as vias respiratórias, o sling simplesmente imita a forma que você segura o bebê como demostra a ilustração abaixo, se não estiver confortável para você ou para o bebê, é sinal de que a amarração pode estar errada, entenda mais sobre Sling Seguro e Forma Segura de Carregar o Bebê.


sling
Foto por Sling Seguro

 "O bebê não vai cair?"
   Outra pergunta frequente, mas não, novamente destaco a importância de saber fazer a amarração, existem alguns vídeos na internet que ensinam à amarrar o sling, há vários tipos de amarração, no início usamos a amarração frontal, e agora usamos a lateral pois percebemos que a Iara não gostava muito da frontal. Você precisa analisar se o bebê está apresentando indícios de que quer observar o ambiente, dificilmente ele se manterá calmo caso queira ver o que se passa ao seu redor e estiver na amarração frontal.



 "Tá usando isso nesse calor? tadinho do bebê"
   Na verdade novamente se tratava de uma reprovação por parte de quem nos perguntou, mas como informei à pessoa, há tecidos leves que são usados em períodos mais quentes, como o Dry Fit, porém não é aquele com furos grandes, pois apresentam risco para o bebê já que o dedinho dele pode entrar sem você perceber, causando ferimentos ou até mesmo a quebra, portanto procure pelo tecido certo, com mini-furinhos.

tecido sling


♡ "Mas ela já não está muito grande pra ficar no sling?"
   Há slings que podem ser usados por crianças de 4 anos.
sling resistente
Foto de portagedouble.com

(Ok, não é criança mas achei engraçado heheh)


♡ "Não uso por que deve doer a coluna, meu bebê é muito pesado"
   Se souber fazer a amarração corretamente não haverá nenhum incômodo, como disse anteriormente, há slings que carregam crianças de 4 anos, além de que há mães ou pais que carregam gêmeos, se acha que seu bebê é muito pesado faça um teste, mas garanto que é mais confortável no sling do que no próprio braço.

sling para gêmeos
Foto de portagedouble.com


♡ "Parece índia usando esse pano"
   Sério mesmo que devo me preocupar com essa comparação? Qual é o grande problema em ser índia? Enfim...

Foto por Oswaldo Forte, via Flickr


♡ "Isso é modinha de gente rica"
   O sling há muito tempo faz parte da vida do ser humano, não há como dizer ao certo desde quando o usamos, o que sabe-se é que somente a partir da popularização do carrinho de bebê no século 19, que o sling passou a ser deixado de lado e usado somente por pessoas de baixa renda, mas ainda há povos em que o uso do sling se faz presente, como tribos indígenas, africanas e alguns povos da ásia.

   Até então, era comum as mulheres usarem panos para carregar seus bebês, no entanto, William Kent em 1733, construiu uma mini-carruagem para transportar crianças que seria puxada por pequenos animais, dando de presente à um Duque do Reino Unido, mas somente em 1840 que o carrinho de bebê ganhou mais notoriedade, e em 1889, William H. Richardson patenteou um carrinho  reversível onde o bebê a partir deste momento fica de frente para os pais durante o passeio. Porém, até o inicio do século XX, estes carrinhos eram usados apenas por famílias mais ricas, e a partir de 1920, começaram a ser produzidos em escala industrial, tornando-se acessíveis para grande parte da população, mas somente em 1965, Owen MacLaren, engenheiro aeronáutico aposentado, criou o primeiro carrinho desmontável com estrutura de alumínio e capota retrátil, modelo base para os carrinhos atuais.

    No entanto, o carrinho de bebê passaria a ser usado não apenas como um transporte, mas como algo responsável por manter os bebês dormindo ou brincando enquanto que a mãe realizasse outras atividades em ambientes diferentes, em famílias mais ricas, as amas ou babás eram as responsáveis por quase todos os cuidados com o bebê, além de passear também, onde dificilmente ocorria um contato entre mãe e filho, pois muita aproximação poderia torná-lo mimado e dependente (essa visão não mudou com o passar dos anos).

babá passeando com bebê
Foto de Corbis Images (Foto de 1926)

  Logo, os carregadores de pano não se tratam de uma "modinha de rico passageira" (as coisas inverteram?), estamos apenas resgatando algo que foi perdido a tempos, uma maior aproximação com o bebê.


♡ "Mas tu é pai, fica estranho usando esse negócio de mulher"
   Essa é o cúmulo, mas há quem pense dessa forma ainda e não perdem tempo em comentar: "Ih sobrou pra ti ter que carregar o bebê", por que sobrou? Ele é pai, e o pai também cuida e participa da vida de seus filhos, não é só "pôr dinheiro dentro de casa e a comida na mesa" como se pensava há alguns anos, está havendo uma mudança quando o assunto é paternidade, pais que estão se envolvendo cada vez mais na vida de seus filhos, está na hora da sociedade enxergar o pai como alguém que também é responsável por criar, educar, brincar, e cuidar, enfim, fazer tudo que as mães sempre fizeram por/com seus filhos, deixando de ser meros figurantes que mal aparecem em cena, e sim verdadeiros protagonistas.

Papai e Iara slingando

 "Coloca no carrinho, é mais prático"
   Não vou negar que possuímos sim carrinho, as vezes ela não quer ficar no sling, acontece, ou os avós, tios, dinda ou qualquer outra pessoa que queira dar uma voltinha com ela e que não usam sling, a coloca no carrinho. Mas tem certeza que é mais prático? Você consegue segurar o bebê e o carrinho ao mesmo tempo ao entrar em um ônibus? Afinal nem todos os pais possuem carro, e quando você vai em um lugar e o bebê não quer ficar no carrinho, fica difícil se locomover segurando tudo ao mesmo tempo.


♡ "Vai ficar mimado desse jeito"
   Pais que decidem fugir do convencional, que buscam uma criação mais afetiva, sempre irá se deparar com esse tipo de comentário, o bebê no colo, bebê no sling, bebê na cama dos pais, bebê mamando após os 6 meses, será eternamente mimado e dependente. Desculpa, mas não seguimos métodos do tipo "Faça seu bebê dormir sozinho em 4 passos" ou coisas do tipo.

mãe amamentando no sling
Foto por Every Stock Photo

 "Hoje inventam de tudo, as mães não querem mais nem ter trabalho de carregar o filho"
   O tempo passa, e com ele vêem as invenções e adaptações para tornar a vida menos complicada, a exemplo disso temos a máquina de lavar, microondas, e o próprio carrinho de bebê, então tudo que vier para ajudar à nós mães/pais realizar atividades que antes era difícil com um bebê no colo são muito bem vindas.

   Não reprovo o uso do carrinho, afinal quem sou eu para ditar regra? O que realmente me incomoda é a ideia de deixar o bebê a maior parte do tempo nesse produto, ou até mesmo no berço, cadeirinha de descanso e outros, fazendo-o dormir, comer, assistir TV, brincar sozinho, onde os pais e o bebê dificilmente ficam próximos, é o "junto porém separados", estão juntos no mesmo cômodo, mas separados por esses produtos, não que os pais devam ficar 24 horas segurando seus filhos, obviamente uma hora o braço cansa ou fica dormente, porém explorar mais essa relação com o bebê, afinal essa fase logo passará.

  Atualmente, alguns pais estão repensando a maneira de criar seus filhos, deixando os palpites de lado, dando importância ao que realmente importa, a relação com o bebê/criança, meu conselho é, se você sentir que deve dar colo para seu bebê, dê, siga seu sentido materno, seu instinto de mãe, serás mais feliz, e o bebê agradecerá, não será um pedaço de pano que "estragará" o seu filho, se importe menos com os olhares de terceiros que em nada irão lhe ajudar, muitos apenas criticam toda e qualquer escolha que os pais tomam, é fácil julgar, mas não se preocupam em ajudar, lavar uma roupa, louça, fazer a comida,  portanto se preocupe menos, ame mais, abrace mais, aconchegue mais, se permita mais.

Criança usando sling
Foto por Every Stock Photo

6 comentários

  1. Você escreve muito bem, parabéns! Deu para perceber que você entende muito bem do assunto e escreveu o texto de modo a esclarecer as principais informações e dúvidas quanto o uso do sling. Confesso, que se me perguntassem o que era o sling eu não saberia, mas agora eu sei :)
    Acho linda o fato de que o uso do mesmo aumenta o vínculo mãe e filho, e pai e filho também, nada a ver isso de "coisa pra mulher", pelo contrário, é lindo demais! E muitas dessas perguntas preconceituosas são pura ignorância mesmo, não sei se teria tanta paciência pra lidar com elas.
    Beijos

    www.juhlihipy.blogspot.com.br

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  2. :D ai que legall ❤❤❤ Adorei o post, ótima escrita e explicou direitinho. Gostei muito do Sling, super criativo.

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  3. Pessoalmente acho que o uso do Sling é bem mais prático e comodo para as mães. Não entendo bem esse tipo de comentário ou são pessoas antiquadas ou não têm que fazer :D

    beijinhos

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  4. mesmo eu ainda não sendo mãe, estou adorando seus posts! tão encantadores e completo *-* sempre achei os slings (não sabia o nome até agora) uma graça :) super práticos!
    beijos :*
    http://memorialices.blogspot.com.br/

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  5. Alana, que post lindo, que excelente trabalho você fez escrevendo isso. Super completo e eu mesmo não sendo mãe me senti numa conversa aberta muito interessante <3 Adorei as respostas pra todas as objeções da sociedade. Preconceito é horrível e é um saco ter gente perguntando com aquela cara de dono da razão, odeio isso! Parabéns por informar através do blog. A parte final do seu texto sobre "deixar o filho mimado", perfeito, concordo perfeitamente com vocês. A sociedade avança, avança e avança, mas chega um certo ponto em que percebe que certas tecnologias em vez de ajudar estão atrapalhando e terminam olhando pra trás e buscando aquelas alternativas da nossa avó, bisavó, etc <3 Eu tenho muito amor por esse comportamento atual e apoio totalmente a fazer as coisas como antigamente. Contato físico e estar junto nunca vai fazer mal pros nossos bebês <3
    Aqui em Recife o sling é super popular :D

    Beijos!

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  6. Olá Alana, tudo bem?
    Adorei seu post, o modo como escreve e a sinceridade contida em suas palavras. Assim como a Juliana, também me senti numa conversa aberta. ♥ Acho muito lindo ver mães carregando seus bebês no sling, pois ele de fato aumenta a proximidade entre ambos. :)
    Infelizmente ainda há pessoas na sociedade que se opõem a esse tipo de coisa e opta por criticar o modo como os filhos dos outros são criados. Cada um sabe o que é melhor para si.
    Adorei seu blog!
    Beijos :*

    http://midnight-skies.esy.es

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