MÃE PAGA LÍNGUA

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   De repente você se depara com uma situação que antes criticava e pensa: "Mas eu julguei aquela mãe que fazia a mesma coisa que estou fazendo agora", pois é, nada como um dia após o outro para nos fazer uma auto-crítica, chegamos então a conclusão de que definitivamente, mãe paga língua.

   Há certas situações em que eu já defendia muito antes de ser mãe, mas como assim? Creio que não sou a primeira e nem a última a ver uma criança fazendo birra e pensar: "No dia que eu tiver um filho ele nunca irá se comportar assim", além de inúmeras outras circunstâncias as quais me fizeram julgar outras mães, o julgamento por si só não é algo muito belo para se fazer, pior ainda é quando nem se quer conhecemos a realidade dessas pessoas.

   A maternidade é uma escola, erramos, acertamos e aprendemos diariamente, um dos maiores erros é tentar idealizar a mãe ou pai que seremos para os nossos filhos, cada indivíduo como o próprio nome diz, é individual, um ser único, o qual possui comportamento e personalidade diferente de outro, portanto, não adianta tentar criar um padrão, as chances de frustração serão maiores se ficarmos projetando algo que nem sempre sairá como queremos, obviamente que precisamos conversar com o parceiro para tentar definir alguns pontos sobre o futuro dos filhos, mas tentar traçar uma linha de comportamento tanto para nós quanto para o bebê pode prejudicar a saúde emocional da família, impactando diretamente na saúde física e mental.

   Ainda na gravidez, conversamos muito sobre como seria o estilo de criação da nossa filha, decidimos não oferecer chupeta, não dar leite artificial e muitas outras coisas as quais umas foram fáceis de manter e outras nem tanto, o que me fez perceber que nem tudo sai como planejado, e que mãe paga língua sim.

"CESÁREA? TÁ LOUCA? O MEU VAI SER NATURAL OU HUMANIZADO"
   Sabe aquele ditado "Querer não é poder"? então, na 32° semana de gestação vimos que nossa bebê encontrava-se em posição transversal (aquela, deitadinha na barriga), e que mesmo fazendo os execícios recomendados pelo obstetra, ela continuava transversa, então aconteceu o que não queríamos, a cesárea. Como imaginava, não foi uma experiência agradável devido as dores e limitações nos cuidados da minha filha, não critico quem escolhe este parto, mas nós, eu e o papai, gostaríamos que fosse humanizado ou ao menos natural.
  

“LEITE ARTIFICIAL? NUNCA”
   Quando Iara nasceu o meu leite demorou quase 48h para descer, por mais que fizesse a ordenha, massagem, e seguisse todos os conselhos que as enfermeiras da maternidade me deram, o leite não descia. Iniciou então a corrida atrás de acessórios para me auxiliar, como o bico de silicone e a bombinha, através dessa conseguia apenas 5ml de leite, como alimentaria a minha filha assim? O desespero era tanto que nem chegamos a pensar nos bancos de leite (e não, na maternidade não tinha banco de leite e foi ainda lá que começamos a dar o leite artificial). Mesmo com todas as dificuldades, não desistimos da amamentação, continuei estimulando, tomando banho quente, bebendo bastante líquido, e quando ela estava perto de completar dois meses, consegui amamentar, paramos então com a "fórmula".

"NUNCA DAREI CHUPETA PARA MINHA FILHA"
   O uso ou não da chupeta é um assunto bastante polêmico, conforme alguns pediatras, esse hábito pode prejudicar a dentição, mastigação, fala e respiração do bebê.
Depois de incontáveis noites mal dormidas somadas ao meu desespero, resolvi comprar a chupeta, passando por cima do que foi decidido ainda na gravidez com o papai, foram duas ou três tentativas até que desistimos pois ela não se adaptou, acredito que pelo fato dela já está com dois meses, mas na verdade nos sentimos aliviados por ela não ter gostado.

 "FESTA DE 1 ANO? O BEBÊ NEM VAI LEMBRAR"
   Quando ela completou 5 meses nós tivemos que voltar para o Rio Grande do Sul (meu marido na época estava fazendo a sua graduação e trabalhando por lá, como somos de Belém no Pará, o nascimento dela foi lá), e com isso resolvemos fazer um mesversário que serviria de despedida, teve decoração, brindes e muitos convidados, se fossemos seguir a lógica de que ela não lembraria de algo da festa de 1 ano, quem dirá a de 5 meses certo? 
Por mais que não tenhamos muitos conhecidos no RS, fizemos a festa de 1 ano, e ficamos surpreendidos com o resultado pois foi melhor do que o esperado, convidamos os colegas de trabalho e da faculdade que de algum modo faziam parte de nossas vidas, sempre perguntavam por nossa filha e até mesmo a presenteava frequentemente, então, creio que se não fizéssemos essa festa ficaríamos arrependidos.

"TV? IARA NEM TÃO CEDO SABERÁ O QUE É ISSO"
   Até os 5 meses da Iara muitas pessoas me ajudaram a cuidar dela e da casa, o que tornava o meu dia muito mais fácil e menos cansativo, porém tudo mudou quando viemos embora, sem a ajuda de mais ninguém, apenas do meu marido que já era uma baita ajuda, pois por mais que ele passasse a maior parte do tempo fora de casa, ele cuida como todo pai deve cuidar de seu bebê, sim, muito mais que trocar fraldas, dar banho, lavar as roupinhas dela, preparar a comidinha, passear, mas um conjunto de tarefas, atividades e outras coisas que são presentes e normais na vida de mãe, além disso ele também realiza as tarefas domésticas, lava louça, roupa, passa pano, lava o banheiro, cozinha, etc, e mesmo fazendo tudo isso, a casa nunca se mantém organizada, como pode? E devido a essa demanda de atividades em alguns momentos recorri á dvd's musicais que são agradáveis também aos meus ouvidos, mesmo com a exposição mínima que não ocorre diariamente, Iara passou a assistir após 1 aninho, então paguei a língua.

"MINHA FILHA NUNCA IRÁ FAZER BIRRA"
   Quem nunca se deparou com uma criança se jogando no chão aos prantos? O que pensamos logo de imediato? "meu filho nunca vai fazer isso", "isso é coisa de mãe que não soube educar" (como se fosse só responsabilidade da mãe, pai também precisa estar presente na criação de seus filhos) , " coisa de criança mimada". 

   Pois bem, chega uma certa fase do bebê que ele já começa a apresentar tal tipo de comportamento, a minha filha com 1 ano começou a se irritar quando contrariada, querendo se jogar no chão, bater, chorar, gritar, enfim, e eu? Novamente paguei a língua, fiquei pensando em todas as vezes que fiquei julgando as outras mães.

  Como esse comportamento surgiu? E o que fazer para mudar isso? Não sabemos o por que desse comportamento, mas o papai e eu iniciamos uma rotina de tentar acabar com a famosa birra, e não, nem nos demos ao trabalho de procurar textos com "técnicas" para acabar com as birras, portanto não sabíamos nem por onde começar, enquanto que estamos em casa é mais fácil lidar com a situação, pois não há os olhares que só faltam soltar fogo e raios em nossa direção, olhares de outras mães que também costumam julgar, ou de qualquer outra pessoa que fica indignada com tal comportamento, pessoas estas que adoram dar conselhos do tipo: "da uma palmada que na hora ela para", "deixa ela sozinha e finge que vai embora", huuum, não obrigada, aqui em casa acreditamos que é possível sim uma educação sem violência física, verbal ou psicológica, os resultados podem até demorar mais que o esperado, o caminho a ser percorrido pode ser mais difícil, mas preferimos assim, estamos em um momento importante que é o de educar um pequeno ser, um ser que ainda não entende o por que de sua atitude ter desencadeado um comportamento agressivo nos pais, repreender com tapas, gritos ou castigos poderão deixar o bebê ou criança acostumados a não fazerem algo pelo medo, e não por que de fato está errado, mas como evitar que aquilo se repita sem usar a violência? Aqui em casa sempre explicamos as ações e as consequências, pois queremos menos de "Não quero ver você riscando essa parede de novo viu,! Se não já sabe" (sentiu o tom de ameça?), e mais de "Você não pode riscar a parede por que ela precisa ficar assim limpinha, a parede não é lugar para você riscar, mas você pode usar esse caderninho que a mamãe e o papai comprou só para isso" (percebeu que apresentamos uma alternativa?), pode até ser complicado no início, explicar tudo para o bebê, mas isso poderá refletir na personalidade da criança lá no futuro, mais afetuoso, compreensivo, menos explosivo, menos agressivo, e não gente, isso não significa que não daremos limites à nossa filha, pelo contrário, ensinaremos a lidar com os limites e frustrações, ensinaremos que cada atitude poderá levar à uma consequência.

"MINHA VIDA NUNCA MUDARÁ POR CAUSA DE FILHOS"
   É óbvio que a nossa vida muda em vários aspectos, muda a rotina, muda as amizades (sim, algumas permanecem e outras se afastam, é inevitável), e muda praticamente tudo quando nos afastamos de todos que conhecemos. Sou desconfiada, medrosa, fresca, o que seja, para deixar a minha filha em casa com algum desconhecido só para que eu e meu marido possamos sair (além disso não queremos "terceirizar" os cuidados dela), esse medo consequentemente fez com que toda a nossa vida social mudasse radicalmente, antes estávamos rodeados de amigos, íamos para barzinhos e shows de rock, atualmente nosso círculo social consiste em colegas de faculdade / trabalho e mamães com seus bebês, saímos somente durante o dia e sempre com a nossa pequenina, e para que não afete muito a rotina dela procuramos retornar para casa no máximo as 22 horas.

   Nós vivemos bem dessa forma, não reclamamos pois sabíamos que isso aconteceria, é claro que sentimos falta de algumas coisas, mas isso não nos deixa irritados, amamos tudo o que aconteceu desde que ficamos 'grávidos', em respeito à essa mudança e principalmente em respeito à rotina dela, preferimos nos habituar, essa "fase" um dia passará, e mudará conforme ela crescer, talvez seja por esse motivo que não entramos em conflito quando se trata de passeios, sempre fomos um pouco caseiros, e o mais importante, cúmplices nas decisões, respeitamos as circunstâncias, e no mais “Se der deu, se não der, não deu”.

   E o que aprendi com o passar do tempo? O mais óbvio possível, que julgar é feio, muito feio, até me tornar mãe e sentir na pele as dificuldades, a maternidade parecia ser fácil e que todos os problemas se resumiam nos pais, que não souberam criar, cuidar, e querer transformar a minha verdade em verdade absoluta, meu marido sempre falou algo que até então eu discordava, que "toda pessoa tem a sua própria verdade, isso não significa que a sua verdade é maior do que a verdade do próximo ou a do próximo maior do que a sua" e é por esse motivo que há tanta discussão, críticas e julgamentos não só no mundo materno, mas na sociedade como um todo, pois cada um enxerga a vida, o mundo de um jeito, olho para trás e sinto envergonhada por todas as vezes que julguei, então peço desculpas à todas as mães as quais critiquei (mesmo em pensamento), precisamos de mais respeito, apoio, ajuda e menos dedos em nossa direção, nos criticando por qualquer motivo.

E você, já pagou a língua? Com certeza ne? 

19 comentários

  1. Sou mãe e sei muito bem como é isso.
    A gente realmente paga a lingua nas maiorias das coisas rs , mas acho que faz parte da vida.

    Minhadoceangelita.blogspot.com

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    1. É verdade, errando e aprendendo diariamente.
      beijos

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  2. Tem situações que só aprendemos quando passamos por elas,né? Imagino que mesmo com as dificuldades, ser mãe deve ser a melhor sensação que existe! Bj
    www.parisdepriscila.com

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    1. Realmente, é muito fácil a gente julgar sem passar por determinada situação.
      Bejos

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  3. Certíssima. Não sou mãe, mas super concordo que não devemos julgar, ninguém conhece o outro completamente

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    1. Sim, como eu disse no texto, julgar já não é legal, imagina quando nem conhecemos a realidade dessas pessoas.
      Beijos

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  4. Não há o que acrescentar! Sou mãe de dois! Imagina! Concordei com tudo mesmo! Nossa essa escola é mais cansativa que a faculdade!! rsrsrs
    Porém senti dificuldade para ler o texto, alem de clara a fonte, tbm achei pequena. Espero volar sempre e dividir com vc meus traumas tbm! bjoks
    Achei as Palavras

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    1. Cansativa e gostosa ao mesmo tempo né? heheh
      Obrigada por destacar sua dificuldade em ler o texto, irei analisar possíveis melhorias para agradar a todos.
      Beijooos

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  5. Na verdade não é só mãe que paga língua, tudo que julgamos pode nos retornar. Quando me tornar mãe precisarei muito desse blog, parabéns, é lindo e bem recheado de coisas interessantes.

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    1. Isso é verdade, julgar é feio, mas acredite, esse mundo de mãe é repleto de críticas e julgamentos, mas ao mesmo tempo é maravilhoso.
      Beijosss

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  6. Minha mãe mesmo me dizia, não fala porque paga rs, você não sabe o amanhã e sim concordo super.

    Olhos de Coruja

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  7. Adorei o seu blog, quando tive meu filho também paguei varias coisas que eu pensava jamais fazer, cesária, não amamentei no peito entre muitas outras, mas como minha mãe sempre diz quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra.

    Adorei o seu blog parabéns!!!!


    www.bonotobianca.blogspot.com

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  8. Confesso que achei engraçado o texto! Ainda não sou mãe mas já me peguei idealizando o "filho perfeito" váaaaaarias vezes e certeza que vou paga a lingua hahahha

    Senti dificuldade de ler o texto por causa da fonte pequena :/ sou miope e ficou bem ruim...

    Beijos


    www.clubedaseis.wordpress.com

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  9. Adorei o texto hahaha, muito bom mesmo! Como a menina do comentário acima disse também senti dificuldade para ler mesmo com o óculos :( adorei seu layout, achei muito fofo!

    Beijos, Gabi.
    www.gabrieleortiz.com.br

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  10. Adorei o post e já arquivei na minha cabeça para quando eu for mãe. Ah, e passei seu blog para quem teve bebê recentemente na família!

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  11. Melhor post que já li em relação a esse assunto! Você foi muito boa com as palavras! É verdade mesmo que a maioria de nós julga as atitudes que as crianças tem como algo que foi culpa da mãe, eu fui muito assim, não tenho filhos, mas tenho 3 enteados e paguei língua também! Minha mãe sempre disse "não veja o defeito do filho do outro, um dia pode ser o seu", mas eu não dava bola! E pagamos mesmo, por mais que não sejam meus filhos, quando eles estão comigo, é como se fossem. E não tem como uma criança não mudar a vida dos pais não é mesmo? A mudança as vezes é bem grande e devemos nos adaptar! Esse texto ficou ótimo e acho que todas as futuras mamães deveriam ler! Amei muito!
    Beijos, <3 Flores de Novembro

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  12. Amei ver um blog dedicado à mães, mesmo eu não sendo uma,mas é tudo tão fofinho♥
    Sucesso!!!

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  13. Que blog fofo, adorei ver sua dedicação!

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  14. Nossa me apaixonei pelo seu blog <3 Parabéns pela dedicação!

    ps: Aumenta um pouco a fonte e coloca em preto pq eu quase não consegui ler. De resto ta lindo demais!

    Beijos
    http://www.decorpenduricalhos.com.br/

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